Você já se pegou, no meio de uma conversa banal, compartilhando seus planos, projetos ou até segredos com alguém que você sabe que não é de muita confiança?
A conversa flui naturalmente e, sem que te perguntem, as palavras simplesmente saem. Depois, vem a culpa: você sente que não deveria ter falado, se martiriza, quer arrancar os cabelos como punição ou tenta se convencer de que não foi nada demais. Afinal, você contou apenas para sua vizinha de cinco anos ou para sua priminha querida (nada contra os primos).
O fato é que você falou. O que antes era um plano ou sonho agora está na boca do povo e, coincidentemente, aquilo que estava começando a dar certo de repente desandou.
Fica a pergunta no ar: por que você foi abrir a boca?
Nosso cérebro não distingue realidade de imaginação. Estudos em neurociência mostram que ter um carro fisicamente na garagem ou apenas imaginá-lo ali gera a mesma resposta orgânica. Em ambos os casos, o cérebro experimenta a sensação de bem-estar, ativando sinapses e neurotransmissores, seja pela realidade ou pela visualização.
É por isso que a Programação Neurolinguística (PNL) alcança resultados tão satisfatórios.
Quando você fala a alguém que está desenvolvendo um novo produto e que ele já está em fase de testes para ser lançado, seu cérebro entende: "Eu já tive sucesso com esse produto!" Instantaneamente, seu córtex pré-frontal transborda hormônios do prazer, seu sistema parassimpático acelera os batimentos cardíacos e o sistema límbico te dá um impulso de motivação.
Em segundos, você se sente extremamente bem por compartilhar um plano que ainda estava no papel. Mas essa sensação de realização antecipada pode se tornar um problema: seu cérebro já experimentou a recompensa antes mesmo de você agir para conquistar o objetivo.
O resultado? A motivação diminui drasticamente. Você contou a ideia várias vezes para diferentes pessoas, sentiu o prazer químico no cérebro repetidamente e, no fim, perdeu o interesse em enfrentar os desafios necessários para torná-la realidade. O assunto já não te entusiasma, e seu projeto morre antes mesmo de ser colocado em prática.
Por favor, não se ofenda, mas o ser humano, por natureza, não está preparado para celebrar plenamente o sucesso dos outros.
Isso não significa que seus amigos ou familiares sejam más pessoas, mas sim que, inconscientemente, ao ouvir suas conquistas ou planos, pode surgir um pensamento de comparação: "Por que ele teve essa ideia e eu não?", "Por que ele tem essa oportunidade e eu não?"
Mesmo que não haja intenção maldosa, esses pensamentos criam formas de energia negativa direcionadas ao seu projeto. Muitas vezes, nem a própria pessoa reconhece esses sentimentos, mas eles podem se manifestar de maneira sutil e persistente.
Assim, toda vez que essa pessoa lembrar de você e dos seus planos, pode involuntariamente emitir vibrações de dúvida e negatividade em sua direção.
Cuidar do que você compartilha não é apenas uma forma de proteger seus sonhos, mas também uma forma de preservar a saúde emocional dos que te cercam.
Ninguém precisa saber dos seus projetos, novas aquisições ou grandes ambições. Você não quer ser o responsável por fazer seu primo refletir sobre o próprio fracasso ao perceber que vocês têm praticamente a mesma idade, mas destinos profissionais muito diferentes.
Tenha responsabilidade afetiva. E lembre-se: "Calada, vence!" – como disse um participante de um reality show que soube se calar no momento certo e, no fim, venceu.
*O córtex pré-frontal é uma região do cérebro localizada na parte frontal do lobo frontal e desempenha um papel fundamental em diversas funções cognitivas superiores, como planejamento, tomada de decisões, controle de impulsos, regulação emocional e memória de trabalho.